Golpe por telefone não depende de a pessoa ser ingênua. Ele depende de pressa, susto e autoridade: alguém que diz ser do banco, do INSS ou da polícia, fala com firmeza e não dá tempo de pensar. Com idosos funciona mais porque a ligação chega em cima de uma rotina em que o telefone ainda é o canal principal.
Este guia tem duas partes: o que combinar com a família e como reduzir o número de ligações estranhas que chegam ao aparelho.
Os golpes mais comuns por ligação
- Falsa central do banco. Dizem que houve uma compra suspeita e conduzem a vítima a "cancelar" — o que na prática é aprovar uma transferência, um Pix ou um empréstimo.
- Falso funcionário do INSS ou de órgão público. Fala em recadastramento, revisão de benefício ou liberação de valores e pede dados, senha do Meu INSS ou pagamento de uma taxa.
- Falso parente em apuros. Voz chorosa, telefone "novo", acidente ou prisão. Pede dinheiro rápido e insiste para não avisar ninguém.
- Falso sequestro. Gritos ao fundo, ameaça e ordem para não desligar. O objetivo é impedir a confirmação com a pessoa "sequestrada".
- Golpe do cartão e do motoboy. Depois da ligação, alguém vai até a casa "recolher o cartão bloqueado". Nenhum banco faz isso.
- Prêmio, sorteio ou empréstimo fácil. Para receber, é preciso pagar uma taxa antes.
Sinais de alerta
- Pressa: "tem que ser agora", "não desligue", "o sistema expira em 5 minutos".
- Pedido de senha, código do SMS, foto do cartão ou do documento.
- Pedido de transferência para uma "conta segura" ou para a "conta do gerente".
- Sigilo: "não comente com ninguém, é uma investigação".
- Número desconhecido que já começa sabendo seu nome — dado vazado não prova nada.
A regra que resolve quase tudo: desligue e ligue você. Use o número do verso do cartão, do extrato ou do site oficial. Nenhum banco, órgão público ou operadora pede senha, código ou transferência por telefone.
Combinados com a família
- Senha da família. Uma palavra combinada entre poucas pessoas. Se ligarem pedindo dinheiro, peça a palavra. Golpista não sabe.
- Regra do "eu ligo de volta". Qualquer pedido de dinheiro por telefone só vale depois de você ligar para o número que já está salvo na agenda.
- Ninguém entrega cartão em casa. Nem para motoboy, nem para "funcionário do banco".
- Limites no banco. Reduza o limite do Pix noturno e do cartão, e ative avisos de transação no aplicativo.
- Combinado sem vergonha. Diga à pessoa que, se cair em algo, a família quer saber na hora e não vai brigar. Muito golpe só cresce porque a vítima esconde.
Filtrar as ligações antes que cheguem
Toda essa conversa fica mais fácil se o telefone simplesmente não tocar quando é um desconhecido. É o que um bloqueador por lista branca faz: o número que não está na agenda é encerrado em silêncio, antes de tocar.
Com o ZeroSpam, a configuração para um familiar idoso leva alguns minutos:
- Salve na agenda todo mundo que precisa tocar: filhos, netos, vizinhos, médicos, farmácia, igreja, portaria. Com DDD.
- Cadastre como exceção os números que ligam de vez em quando: laboratório, oficina, agendamento do posto de saúde.
- Deixe ligado o retorno de emergência: depois de ligar para 190, 192 ou 193, tudo toca por 1 hora.
- Explique a pausa: quando a pessoa estiver esperando entrega ou consulta, um toque libera 1 hora.
- Combine de olhar o histórico juntos de vez em quando — é uma boa conversa sobre quem anda ligando.
Veja o passo a passo com as telas →
O que o filtro não pega
- WhatsApp. Boa parte dos golpes migrou para lá. Ative a confirmação em duas etapas e desconfie de "mãe, mudei de número".
- Número falsificado. Golpistas conseguem exibir o número de um banco na tela. Se esse número estiver salvo na agenda, a ligação toca. Por isso a regra do "desligue e ligue você" continua valendo.
- SMS e e-mail. Links de "atualização cadastral" seguem chegando por outros caminhos.
Se o golpe já aconteceu
- Ligue para o banco pelo número do verso do cartão e peça bloqueio do cartão, contestação e revisão de empréstimos feitos no dia.
- Registre boletim de ocorrência — em quase todos os estados dá para fazer pela internet.
- Se houve Pix, peça ao banco o Mecanismo Especial de Devolução. O pedido tem prazo, então quanto antes melhor.
- Troque senhas do banco, do e-mail e do WhatsApp, e avise a família: golpista costuma voltar na mesma vítima.
Vergonha é a maior aliada do golpista. Quem conta rápido para a família e para o banco costuma recuperar mais.